sábado, 29 de março de 2008

Kraftwerk

Hoje eu comprei um vinil do Kraftwerk. O único disco de rock que prestava do maldito sebo do Centrão. No caixa, o dono do estabelecimento disse que ele valia uns duzentos pilas, mas que como tava sem preço, ele faria por menos. Piada conhecida. Acabou fazendo por uns três pilinhas mesmo. Mas o pior disso tudo, é justamente que, agora que estou com 30 anos, comecei a escutar mais Kraftwerk. Li a entrevista do Lester Bangs no livro Reações Psicóticas (valeu mais uma vez, povo da Editora Conrad!) com eles. Tocante. Descobri que além de mim, existia alguém que admirava a "humanidade" do som da banda. No sentido em que, como responde um membro da banda naquela ocasião:
- O mais assustador dos robôs, não é em como eles são parecidos com a gente, mas sim em como somos parecidos com eles.
Pode ser que muitos sintam isso, ou sintam e não comentam, mas o fato é que pouco se falou nessa humanidade no som da banda, mas, ao contrário, muito em seus experimentos sonoros: a psicodelia moderna.
Um fato curioso: esses dias vi aquele vídeo de Piece of Me de Britney Spears, a após ler uma matéria da última Rolling Stone, percebi como Britney estava adquirindo talentosos e ousados Dj's, criadores de grooves respeitáves, e no caso, dessa música, claramente inspirado em Kraftwerk e seus discípulos mais diretos. Diante da minha hipótese que um dia Britney Spears poderia se tornar uma nova Rainha do Rock, depois de mudar o estilo patricinha, numa loucona desvairada, chegando a ser uma nova Patti Smith. Diríamos a nossos filhos:
- Guris, quando eu era novo, a Britney Spears era uma patricinha de McDonald's!
- Porra pai, tá me tirando? A Britney é muito mais selvagem que aquela hippie Janis Joplin que tu escutava.
- Eu nunca fui tão fã de Janis Joplin, muito menos dessas minas folk hippies de boutique, como a Joan Baez. Oh não, lembrei da Mallu Magalhães, e de como aquela pose de Amelié Poulin tocando Jack Johnson me incomoda. Não me desenhe, Mallu.
- Mallu Magalhães? Quem é essa pai?
- Ainda bem que você escapou dessa, guri.
Voltando a banda que botou o Krautrock (Rock Chucrute, ou o rock alemão tipo exportação do final da década de 70) no mapa. Até uma camiseta com a capa de Autobahn eu comprei. Lá na Galeria do Rock. Aproveito pra mandar um abraço pro Dagoberto da Araçá Azul pelos DVDs dos Novos Baianos, do Secos & Molhados, Hermeto Pascoal, etc. Em casa, baixei uns mp3s que me faltavam. Tirei pó dos CDs Electric Coffee (trazido pela minha hermana da Alemanha, grandecoisa!) e do Trans-Europe Express, um dos meus discos favoritos até hoje, e lancei nos ouvidos dos habitués do Estúdio, a minha casa. Agora com o vinil debaixo do braço, após uma desgastante batalha de War Império Romano, a nova versão do clássico jogo, ponho o bixo pra tocar.
E quando essa velha cópia do Man Machine, que um dia foi de Helcio Cypriani, tá escrito na capa (pôrra, valeu Helção: bem na capa, meu!?), começa a tocar, é que eu descubro. O problema do Kraftwerk é que não dá pra saber quando um disco está riscado. Prova disso é que ficamos escutando The Model por mais de dezoito minutos. Então...

...sejam benvindos ao blog Eu Sou Psicodélico, título inspirado, sem querer, num antigo rock do Serguei. Aquele tiozão que "faz amor" com árvores.

Até o próximo post!

Um comentário:

Unknown disse...

achei meio complicado o texto do lester bangs sobre o kraftwerk.. e é engraçado o que os caras respondiam na entrevista! tô achando que não entendi nada mesmo!